Mulheres e Video Games
Há um sem-número de sites de autoafirmação de meninas gamers. O tal vídeo manifesto foi produzido nos Estados Unidos, mas, por aqui, a mulherada também não tem vida fácil. Estudante de Letras na PUC-Rio, Isabel Ferreira, de 24 anos, encara diariamente comentários desagradáveis de marmanjos.
- Quando jogamos contra eles online, ouvimos muita besteira. Dizem que, se uma menina está no computador sexta-feira à noite é porque deve ser baranga e sem namorado – conta ela. – Mas não ligo para isso, e continuo ganhando deles.
A equipe da revista foi à escola de desenvolvimento de games Seven, no Centro, para conversar com meninas que não largam o joystick. Para elas, a melhor cura para TPM é um headshot (disparo na cabeça do rival) durante uma sessão de Counter-Strike, Call of Duty ou qualquer outro jogo de tiro. As alunas Vanessa de Souza e Priscilla Prudêncio dizem que, por serem vistas como rivais mais fracas, as meninas se esforçam para detonar os barbados, sem se importar com o tamanho da espada que eles usam no World of Warcraft.
- Os meninos acham que a gente não entende de game, então as garotas se aplicam para ganhar deles. Nossa competitividade é maior, e eles ficam furiosos quando perdem para mulheres – diz Vanessa.
Não se trata de feminismo chatola ou coisa parecida. As garotas só querem acabar com essa discriminação boba e sem sentido. Karen Almeida, de 23 anos, é a criadora do blog “Girl on nerd rage”. Ela guarda as mensagens que recebe quando joga online e já reuniu um verdadeiro baú do machismo:
- A maioria dos caras tem mente fechada. Ouvi um garoto dizer que eu deveria largar o joystick e tirar a minha roupa.
É um sonho dessas meninas ver mais games com heroínas virtuais. Elas reclamam que as protagonistas femininas são quase sempre idealizadas pelos machos, com peitões, decotes e curvas sensuais, como as modelos nos comerciais de carro e cerveja. Um exemplo desse estereótipo é Lara Croft, heroína do jogo Tomb Raider que foi interpretada no cinema pela atriz Angelina Jolie.
No entanto, o coordenador do projeto Game Studies, do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas, Arthur Protásio, vê melhorias nesse sentido, graças à customização dos personagens.
- Hoje, vários games permitem ao jogador customizar desde o sexo até a vestimenta do personagem. Lara Croft foi criada nos anos 90 para ser uma versão feminina do Indiana Jones, mas os anúncios veiculados só mostravam a heroína em poses sensuais, numa visão totalmente masculina – critica Protásio.

